quinta-feira, 19 de abril de 2012

MEMÓRIA, EIS A QUESTÃO!


MAIS O PROBLEMA É A MEMÓRIA, VELHO AMIGO! KKKK. LEMBRAMOS MESMO SEM QUERER!

O MILAGRE DA MEMÓRIA

TEXTO DE SANTO AGOSTINHO, LIVRO AS CONFISSÕES.

Vencerei então esta força de minha natureza, subindo por degraus até meu Criador.Chegarei assim diante dos campos, dos vastos palácios da memória, onde estão ostesouros de inúmeras imagens trazidas por percepções de toda espécie. Lá tambémestão armazenados todos os nossos pensamentos, quer aumentando, querdiminuindo, ou até alterando de algum modo o que nossos sentidos apanharam, etudo o que aí depositamos, se ainda não foi sepultado ou absorvido no esquecimento.Quando ali penetro, convoco todas as lembranças que quero. Algumas se apresentamde imediato, outras só após uma busca mais demorada, como se devessem serextraídas de receptáculos mais recônditos. Outras irrompem em turbilhão e, quando seprocura outra coisa, se interpõem como a dizer: “Não seremos nós que procuras?” Euas afasto com a mão do espírito da frente da memória, até que se esclareça o quequero, surgindo do esconderijo para a vista. Há imagens que acodem à mentefacilmente e em seqüência ordenada à medida que são chamadas, as primeirascedendo lugar às seguintes, e desaparecem, para se apresentarem novamentequando eu o quiser. É o que sucede quando conto alguma coisa de memória. Ali seconservam também, distintas em espécies, as sensações que aí penetraram cada qualpor sua porta: a luz, as cores, as formas dos corpos, pelos olhos; toda espécie desons, pelos ouvidos; todos os odores, pelas narinas; todos os sabores, pela boca;enfim, pelo tato de todo o corpo, o duro e o brando, o quente e o frio, o suave e oáspero, o pesado e o leve, quer extrínseco, como intrínseco ao corpo. A memóriaarmazena tudo isso em seus vastos recessos, em suas secretas e inefáveissinuosidades, para lembrá-lo e trazê-lo à luz conforme a necessidade. Todas essasimagens entram na memória por suas respectivas portas, sendo ali armazenadas.
Todavia, não são as coisas em si que entram na memória, mas as imagens dascoisas sensíveis, que ali ficam à disposição do pensamento que as evoca.
Masquem poderá explicar como se formaram tais imagens, apesar de se conhecer osentido pelo qual foram captadas e escondidas em seu íntimo? Pois, mesmo quandoestou em silêncio e no escuro, imagino, se quiser, as cores, e sei distinguir o brancodo preto, e todas as outras entre si; e isto sem que os sons, mesmo os lembrados,perturbem minhas imagens visuais, e permanecem como que a parte. Se decidochamá-los, eles se apresentam imediatamente. Mesmo quando minha línguadescansa e minha garganta se cala, canto quanto quero, sem que as imagens dascores, também presentes, se interponham ou perturbem enquanto me sirvo do tesouroque me entrou pelos ouvidos. Do mesmo modo as demais impressões, introduzidas earmazenadas em mim por meio dos outros sentidos, posso recordar a meu talante;distingo o aroma dos lírios do das violetas, sem cheirar nenhuma flor; e sem provarnem tocar em nada, mas apenas com a lembrança, posso preferir o mel ao arrobe e omacio ao áspero. Tudo isto realizo interiormente, no imenso palácio da memória. Ali eu tenho às minhas.


Postado do Facebook de Adaécio.



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