quarta-feira, 12 de março de 2014

Queda

deixe cair
tudo em torno
de si.
sucumba em seguida
até o fim
se exaurir.

Adaécio Lopes  

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Oi pessoal!

É com alegria que divulgamos a publicação do artigo “EDUCAÇÃO E AS NOVAS
CONCEPÇÕES DE REALIDADE, INTERAÇÃO E CONHECIMENTO”, de minha autoria e do professor Dr. Luiz Carlos Jafelice!

Ele foi publicado no Volume 38 da Revista Educação & Realidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dedicado à temática “Filosofar a Educação”. A REVISTA está disponível nos formatos impresso e online e pode ser acessada no endereço:

<http://www.seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/issue/view/2188>

NOSSO TRABALHO, em particular, pode ser acessado no endereço:

<http://www.seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/24863/26811>

Leiam, opinem e se poderem e acharem interessante divulguem. A discussão é bastante pertinente, sobre tudo para educação científica

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A OCUPAÇÃO DE ESPAÇOS: UMA AFIRMAÇÃO DE VIDA!


Ocupemos as praças, utilizemos os espaços. Uma vida sem encanto tem catraca em todo canto. Caminhemos pela cidade do Sol até onde este brilhe de forma mais intensa. Libertemos-nos dos prédios, de forma a vermos os morros, as dunas, essa topografia do sonho. Refaçamos os caminhos daqueles que vieram antes de nós. Façamos nosso caminho. Nossas veredas.

Porque as catracas, ah elas estão em todos os lugares. Elas estão em mim! Elas estão em vocês! Mas uma vida sem encanto tem catraca em todo canto! Quebremos as catracas! Catracas podem ser quebradas com atividade, com música, com poesia e também ao sabermos dizer NÃO!

Os partidos não estão em consonância com práticas horizontais como as que temos presenciamos recentemente por um motivo muito simples: os palanques são verticais, são do mesmo tempo dessas outras demonstrações de poder vertical espelhados pelas cidades. Monumentos, estátuas, em que o orador, aquele a ser cultuado em está sempre acima dos demais e em maior estatura sempre, enquanto os demais o admiram como um Deus, de olhos fixos como que a esperar migalhas de salvação.

E por ser horizontal, por ser algo que está acima da alcunha de SUJEITO, alguns que saem as ruas (e o número cresce a cada ato) decidem usar máscaras, não por temer, mas pela decisão pessoal de não aparecer, de ser anônimo. Não podem ser criminalizados por isso, inclusive por ser do conhecimento de todos que aqueles que representam o braço aparelhado do estado não se identificam.

Todos os dias são maravilhosos, mas há dias melhores do que outros!



Apossam-se dos lugares
Para exposições fajutas
Exigem todo respeito
Não revendo suas condutas
De uma forma transversal
Tentam sufocar as lutas
Contra o medo virtual
A poesia é catapulta

Controlando os transportes
Programando os teus horários
Aumentando as tarifas
Empobrecem os honorários
Rindo assim de nossa cara
Fazendo-nos de otários
Engordando suas contas

Maltratando os operários 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A TODOS OS QUE FAZEM A ESCOLA ESTADUAL CALPÚRNIA CALDAS DE AMORIM – CAICÓ / RN






Dia 12 de Abril do corrente ano foi publicado no diário oficial do estado o meu afastamento, minha licença para interesse particular (por motivo de estar cursando o doutoramento em educação). Esse automaticamente foi também o dia que definitivamente me desliguei por três anos da escola EECCAM em que trabalhei durante os últimos 2 anos.

Gosto muito daquela escola. Uma ótima escola. Não falo apenas de espaço físico, mas principalmente do fato de uma instituição se pautar minimamente por um projeto coletivo, por ter sempre em mente que estamos ali para fazer algo pelos jovens que temos como estudantes, tendo consciência disso e da responsabilidade que isso acarreta. Como os colegas falam sempre lá na escola, nos tornamos uma família (embora essa forma de organização social não seja a única forma de agregamento genuíno e legítimo entre humanos).

Nas salas de aula discutimos coisas pertinentes: iniciação a astronomia, a relação entre construção do conhecimento e questões como medo da finitude, autopreservação (dentre outras), a poesia como autoexpressão do humano, e algumas leis físicas importantes.

Juntamente com os colegas fizemos a farra na hora do recreio, protestamos por direitos, discutimos questões de natureza pedagógica e vivencial, trocamos experiências e nos tornamos confidentes, amigos de fato, a ponto de sentirmos tanto saudade de tudo isso.

Com o grupo de teatro tentou-se desenvolver algo que nem nós sabíamos. Ou seja, fomos juntos tentar fazer algo que de alguma forma nos retirasse de nós mesmos e o resultado foi muito bom. Talvez não no sentido estrito, em relação ao teatro em si (embora a peça apresentada na escola – Uma mulher vestida de Sol – tenha fixado muito boa, transmitindo a verdade que almejávamos), mas como um grupo. Foi muito importante para todos. Sobretudo para os estudantes que tinham tanta sede de expressão.  O teatro nos ajuda a perder esse controle que temos sobre nós mesmos, nos faz perceber como somos vulneráveis, limitados, e nesse aspecto funciona como algo muito pedagógico para o próprio professor, ajudando-o a ser menos autoritário e mais aberto às angústias e dificuldades dos estudantes.

Agradeço a todos, colegas professores, pessoal da cozinha (Alô Dona Evânia!), do setor pedagógico, da secretaria, da mecanografia, aos porteiros, o pessoal da limpeza (que eu perturbava quando ficava direto na escola), enfim todos!

E continuo acreditando, hoje ainda mais, que jamais se compreende algo se não vivenciar minimamente aquilo. Teorias são apenas teorias. É preciso entrar. Encontrar seus pontos nevrálgicos secretos, só assim não nos parecerá tão estranho. Perceberemos nelas coisas que nos são familiares. E assim o é com tudo.

Obrigado!
Que a sabedoria seja nossa meta!

Adaécio Lopes

quarta-feira, 6 de março de 2013

O BELO, O BEIJO E O TEMPO



Um inicio de tarde quente. Um marasmo, um mormaço. A primeira tarefa árdua do dia, almoçar. Restaurante Universitário... este continua sempre o mesmo, abarrotado de gente, com aquele cheiro de comida-ração, afinal é difícil quando se fazer comida para milhares de pessoas.

Mas em meio aquele calor, o barulho de sempre e o cheiro de lombo acebolado, algo me chama a atenção. Caricias e poesia sempre são bem vindos neste mundo. Viam-se as alianças nos dedos singelos a reluzir, bastante sorriso nos lábios e muita alegria a se envolver. Nesse instante fui lembrando muita coisa – porque é quase sempre assim que começa um devaneio poético-filosófico existencial...

A relação entre Cosmos e Caos sempre me interessou. Haja vista que meu trabalho de conclusão de curso foi O Nous e a Física de Anaxágoras de Clazômenas. Este pensador pré-socrático entendia que o Nous, certa inteligência suprema que constituía o mundo, continha tanto a natureza imutável como aquilo que possibilitava a multiplicidade da existência.  Ou seja, eu diria, tanto o Cosmos como o Caos, a organização e a mudança, o movimento e o repouso. Pensava sobre algumas dessas coisas outro dia quando assistia uma palestra sobre Cosmos e Caos proferida por Pablo Capistrano no IFRN Natal Central. 

A mudança sempre resiste, o novo persiste, flerta com o instante, ri da ortodoxia e é assim que tem que ser, não existe Cosmos sem Caos, não existe a Paz sem a Guerra! Para citar outro pré-socrático, Heráclito de Éfeso dizia que “a guerra é mãe e rainha de todas as coisas”, que tudo é uma constante mudança, daí o elemento primordial, para esse filósofo, ser o fogo!

Não por acaso Heidegger, talvez o maior filósofo do século XX, retoma Heráclito no fim de sua obra, lançando Heráclito, em 1970. Para o filosofo alemão, assim como para o francês Sartre, a existência precede a essência, não podemos fechar nossos olhos para o mundo, e nos refugiar no território carcomido dos conceitos, temos que buscar o todo, mas pelo real, imergindo no fluxo temporal, prevalecendo nesse intento o caráter de abertura constante ao que virá.

E, retomando, em meio àquelas demonstrações genuínas de afeto poder-se-ia ver o mal-estar dos que estavam ali mais próximos, um certo desconforto, certa agressividade velada, contida, mal disfarçada. Mas não existia afronta, apenas naturalmente exerciam o direito de se beijar em espaço público, com graça, sutiliza e amor (que palavra gasta essa...). Sim, elas se beijaram, na boca (respondo ao amigo anônimo do lado)!

E aquela parte do RU parou. Não sei se por medo, respeito, perplexidade ou por compreensão, aceitação do belo! Talvez uma mistura de tudo isso...



domingo, 9 de dezembro de 2012

ESCREVER O QUÊ?







Nunca mais tinha escrito um texto... talvez estivera demasiado ocupado para escrever algo maior – também porque quase sempre tenho estado de acordo como Walt Whitman quando ele dizia que quase nada de substancial pode ser dito fora da poesia -, ou talvez essa tenha sido a desculpa que dei para não escrever textos. A verdade, talvez, é que não tinha mais saco para escrever. Talvez um certo desânimo autosabotante, concordante com o que dizia Nietzsche: o melhor escritor é aquele que nenhum livro escreve!

Mas o fato é que aqui estou eu a escrever algumas coisas mais uma vez... Do seio de minha casa bagunçada, de meus escritos perdidos e amassados, da minha confusão caótico-mental, decido escrever nem sei por qual motivo... Afinal como disse um dia Michel Foucault, dizer que sou anarquista é demasiado simplório e restritivo! Ferido mortalmente pelo vazio, pelos resquícios etéreos e eternos da dor, vago como um cantador cujo maior deleite é o pavor de se ver sem ninho, nem calor. Mas vou!!

Tudo me é demasiado pouco. Nos diálogos acadêmicos com o filósofo dos seiscentos (dou a permissão para que construam o trocadilho afinal eu também já o fiz e sei que ele o permitiria pelo sarcasmo que brota de seus escritos) me sinto liberto com suas brincadeiras com o infinito, embora quando vou formatar as coisas para o arcabouço de tese que construo, tendo vistas ao processo de doutoramento, a coisa por vezes volte à estaca zero.

Tive uma injeção de ânimo ao ver os vídeos de Eduardo Marinho (http://observareabsorver.blogspot.com.br/2012/12/aviso-aos-amigos-do-sul-mixou-viagem.html#comment-form) no Youtube... Muito bons!! Para mim isso tudo que discute é tão natural, mas volto a me sentir vivo, me sinto muito bem quando vejo alguém colocar essas questões com tanta segurança, e com uma certa agressividade poética. Sim porque a poesia meus caros, é a única coisa que nos livra da morte... Ela é eterna... No início era o verbo! Só a poesia e o amor...

Nem sei por que ainda tenho medo,
sendo em tudo amor!
Não é mesmo flor?