segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Movimentos, paradoxos and others mangues

Movimentos como a Semana de Arte Moderna de 22, Tropicália/Tropicalismo, Manguebit/Manguebeat etc., nunca serão apenas uma coisa. São acontecimentos, carregados de características e significados diversos. Comportam sempre extremismos, paradoxos e clareiras, avanços.

Isso acontece, dentre outros motivos, porque as pessoas envolvidas estão inseridas no contexto no qual estão visando transformar, então, de maneira não tão consciente acabam se deixando tragar por concepções que não condizem com a parte mais substancial daquele processo. Isso em um grau menor acontece constantemente com os indivíduos, que dirá em "explosões" desse tipo.

A ânsia por cancelar tudo está tornando as coisas muito precipitadas por esses tempos. Agora, a crítica é sim necessária, sempre. Conseguir perceber o outro lado de acontecimentos e comportamentos é o que há de mais salutar na vida, e geralmente não é algo muito simples e tão calma de ser mobilizado.

Assim, aqueles que mostram os lados sombrios da SAM 22, a meu ver, são muito bem vindos, independentemente das razões pelas quais se manifestem (o que não quer dizer que essas motivações não devam ser consideradas, percebidas e analisadas). Acontece que aqui no Brasil - falo assim não por ter experiências em outros países, mas porque aqui vivo - nós sacralizamos demais tudo, somos extremistas, temos que assumir isso.

E um povo que é extremista tende a procurar extremos. Como diria aquele aclamado cantor pop - que foi hostilizado aqui em Natal em um de seus shows por, sem nenhum motivo aparente começar a defender substancialmente quem ocupava a cadeira de governo á época (olha os extremismos) - "ainda leva uma cara pra gente poder dar risada".

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

 Escrever

Entrar em floresta
A juntar gravetos
Pra alimentar o incêndio
Que nos faz viver.
Andar por veredas
A reverter desertos
Em cacimbas d'água
Cuja insipidez
Não se pode
Esquecer.
Fadol

 Ao comemorar a morte de um emissário propagador da morte nós estamos fazendo justamente o que ele quer, sendo partidário da morte, se está meio que sem perceber sendo levado pela sua corrente, pois aquele que deseja a morte já está morto, e se quer estar vivo se deve se afastar da morte e trilhar no caminho da vida. Os partidários da vida devem comemorar a vida e não a morte. Quando a gente comemora a morte de uma pessoa que consideramos ruim nós estamos nos enganando, achamos que comemorando a sua morte o estamos atingindo ou a seus seguidores. Mas isso é um engano, nós é que nos contaminamos com aquela energia.

25 - 01 - 2022

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fadol

 Já faz um bom tempo

Que eu não faço verso

Mas aqui eu confesso

Hoje versejei tanto

Que cheguei a bolar

Pra um lado e pra outro

Sem nem acordar

A peleja era grande

Que cheguei a suar

Quando abri os olhos

Ainda deu tempo

De sentir o vento

No mesmo momento

Que o pensamento

Tava em dez de galope

Na beira do mar!

Adaécio Lopes [27/01/2022]

 Uma data especial

Ele hoje faz 80

Na metade do caminho

Eu estou pois em 40

Quando tiver 120

Aí terei seu requinte

Que o elo não arrebenta!

Adaécio Lopes [Para meu Pai Álvaro Lopes da Silva - 30/01/2022]


 É bem difícil de juntar

Os poemas feitos

Para descansar

Fadol

 É triste ver que muita coisa que se lê nos contos/crônicas de Machado de Assis ainda perduram por aqui. E isso incide sobre todos nós enquanto grupo. A violência, o racismo, a intolerância e demais chagas semelhantes atingem a todos, pelo simples fato de existir, não precisa ser com você para ter ressonância na sua vida e das pessoas próximas. O que eu quero dizer é que mesmo os menos sensíveis, a coisas horrorosas como os linchamentos que ocorrem quase que diariamente por aqui, também são afetados por essas ações. Basta perceber quando estamos em um lugar e somos expostos a uma situação de violência. Nosso corpo passa a vibrar de forma diferente, somos instantaneamente levados a manifestar ódio e violência, mesmo que de forma velada as vezes e que por ventura nem percebamos esse processo. É algo tão nocivo isso, pois demanda um enorme empenho e demora muito tempo para ser revertido, bem mais do que conscientemente as vezes temos condições de perceber.

 São tempos difíceis em um grau quase inacreditável. De tanto a maioria das pessoas envolvidas fechar os olhos e se negar a criticar e exigir uma posição coerente da própria base na qual estamos em alguma medida inseridos (utilizando aquele velho argumento do menos pior) os nossos direitos vão sendo negados até por quem deveria estar do nosso lado. E assim a gente continua nessa saga de andar, andar, andar e não sair do lugar.

Quando esquenta

Fevereiro derrama

Cabaça d'água

Fadol

 O sorriso

A carne

Do piso

Estrela

Com

Seu

Brilho

Adaécio Lopes

O ESPELHO DA PÓS-MODERNIDADE (?)


Boa parte, eu diria bem mais que a maioria, das pessoas que criticam o que se passou a chamar de pós-modernidade não tem nenhuma ideia do que trata aquele termo e/ou aquilo a que se refere. É algo como o termo comunismo no Brasil. "Um lugar" onde se descarrega aquilo que se acha exótico, sem sentido, com o qual não se concorda, que nos incomoda ou algo do tipo. Uma das coisas mais comuns que vejo, em comentários diversos, tanto nos meios virtuais como nas conversas ao vivo, é reputarem - àquilo que consideram como sendo pós-modernidade - comportamentos, práticas e acontecimentos que não são necessariamente característicos desse contexto.
O que quero dizer é que muitas dessas atitudes, comportamentos e conhecimentos que são jogados na zona considerada sombria do que chamam de pós-modernidade, tanto por vezes não refletem essa cena, como, na verdade, já estiveram presente em muitas outras épocas. A pós-modernidade nem trouxe tanta coisa nova assim, como essas pessoas quase sempre consideram. O que ela mais fez foi buscar nos colocar em frente ao espelho. Muitas das vezes quando se diz que isso ou aquilo é pós-moderno se está na verdade querendo fugir do espelho, ou seja, do enfrentamento, da compreensão ou das percepções que aquela situação, conhecimento ou expressão nos desafia a fazer ou desenvolver.
Em síntese, a pós-modernidade busca discutir a modernidade, questionando, por exemplo, o quase-dogma da representação. Como também, chamar a atenção para aquilo que a modernidade deixou de fora (por motivos os mais diversos) no recorte que fez ao representar aquilo que considerou como sendo a realidade. Para muita gente isso é um papo meio intelectual demais ou algo do tipo, mas, indeed (como é dito na língua inglesa) isso é sim algo básico quando se busca conhecer algo: ter em mente o questionamento sobre a natureza do conhecimento. Por tudo isso, o que a pós-modernidade mais busca, mesmo nas suas formas mais libertárias, por assim dizer, é nos colocar na ação, nos convidando a estar presentes, percebendo as muitas nuances que há em tudo.
Questiona, dentre outras coisas, o avanço que é dito que aconteceu sem que isso necessariamente tenha acontecido, a resolução de problemas que se diz ter acontecido sem o ter sido feito, mostrando que construir explicação para as coisas é bem diferente do que dizer que aquelas explicações foram descobertas, por exemplo. Se não conseguimos conviver com tais situações nevrálgicas ou incômodas isso não é algo que se possa ou que se deva colocar na conta da pós-modernidade apenas para se desvencilhar ou tentar se livrar delas. Não acha?