domingo, 9 de dezembro de 2012

ESCREVER O QUÊ?







Nunca mais tinha escrito um texto... talvez estivera demasiado ocupado para escrever algo maior – também porque quase sempre tenho estado de acordo como Walt Whitman quando ele dizia que quase nada de substancial pode ser dito fora da poesia -, ou talvez essa tenha sido a desculpa que dei para não escrever textos. A verdade, talvez, é que não tinha mais saco para escrever. Talvez um certo desânimo autosabotante, concordante com o que dizia Nietzsche: o melhor escritor é aquele que nenhum livro escreve!

Mas o fato é que aqui estou eu a escrever algumas coisas mais uma vez... Do seio de minha casa bagunçada, de meus escritos perdidos e amassados, da minha confusão caótico-mental, decido escrever nem sei por qual motivo... Afinal como disse um dia Michel Foucault, dizer que sou anarquista é demasiado simplório e restritivo! Ferido mortalmente pelo vazio, pelos resquícios etéreos e eternos da dor, vago como um cantador cujo maior deleite é o pavor de se ver sem ninho, nem calor. Mas vou!!

Tudo me é demasiado pouco. Nos diálogos acadêmicos com o filósofo dos seiscentos (dou a permissão para que construam o trocadilho afinal eu também já o fiz e sei que ele o permitiria pelo sarcasmo que brota de seus escritos) me sinto liberto com suas brincadeiras com o infinito, embora quando vou formatar as coisas para o arcabouço de tese que construo, tendo vistas ao processo de doutoramento, a coisa por vezes volte à estaca zero.

Tive uma injeção de ânimo ao ver os vídeos de Eduardo Marinho (http://observareabsorver.blogspot.com.br/2012/12/aviso-aos-amigos-do-sul-mixou-viagem.html#comment-form) no Youtube... Muito bons!! Para mim isso tudo que discute é tão natural, mas volto a me sentir vivo, me sinto muito bem quando vejo alguém colocar essas questões com tanta segurança, e com uma certa agressividade poética. Sim porque a poesia meus caros, é a única coisa que nos livra da morte... Ela é eterna... No início era o verbo! Só a poesia e o amor...

Nem sei por que ainda tenho medo,
sendo em tudo amor!
Não é mesmo flor?



FILÓSOFO DA RUA - EDUARDO MARINHO