quarta-feira, 17 de abril de 2013

A TODOS E TODAS QUE FAZEM A ESCOLA ESTADUAL CALPÚRNIA CALDAS DE AMORIM – CAICÓ / RN






Dia 12 de Abril do corrente ano foi publicado no diário oficial do estado o meu afastamento, minha licença para interesse particular (por motivo de estar cursando o doutoramento em educação). Esse automaticamente foi também o dia que definitivamente me desliguei por três anos da escola EECCAM em que trabalhei durante os últimos 2 anos.

Gosto muito daquela escola. Uma ótima escola. Não falo apenas de espaço físico, mas principalmente do fato de uma instituição se pautar minimamente por um projeto coletivo, por ter sempre em mente que estamos ali para fazer algo pelos jovens que temos como estudantes, tendo consciência disso e da responsabilidade que isso acarreta. Como os colegas falam sempre lá na escola, nos tornamos uma família (embora essa forma de organização social não seja a única forma de agregamento genuíno e legítimo entre humanos).

Nas salas de aula discutimos coisas pertinentes: iniciação a astronomia, a relação entre construção do conhecimento e questões como medo da finitude, autopreservação (dentre outras), a poesia como autoexpressão do humano, e algumas leis físicas importantes.

Juntamente com os colegas fizemos a farra na hora do recreio, protestamos por direitos, discutimos questões de natureza pedagógica e vivencial, trocamos experiências e nos tornamos confidentes, amigos de fato, a ponto de sentirmos tanto saudade de tudo isso.

Com o grupo de teatro tentou-se desenvolver algo que nem nós sabíamos. Ou seja, fomos juntos tentar fazer algo que de alguma forma nos retirasse de nós mesmos e o resultado foi muito bom. Talvez não no sentido estrito, em relação ao teatro em si (embora a peça apresentada na escola – Uma mulher vestida de Sol – tenha fixado muito boa, transmitindo a verdade que almejávamos), mas como um grupo. Foi muito importante para todos. Sobretudo para os estudantes que tinham tanta sede de expressão.  O teatro nos ajuda a perder esse controle que temos sobre nós mesmos, nos faz perceber como somos vulneráveis, limitados, e nesse aspecto funciona como algo muito pedagógico para o próprio professor, ajudando-o a ser menos autoritário e mais aberto às angústias e dificuldades dos estudantes.

Agradeço a todos, colegas professores, pessoal da cozinha (Alô Dona Evânia!), do setor pedagógico, da secretaria, da mecanografia, aos porteiros, o pessoal da limpeza (que eu perturbava quando ficava direto na escola), enfim todos!

E continuo acreditando, hoje ainda mais, que jamais se compreende algo se não vivenciar minimamente aquilo. Teorias são apenas teorias. É preciso entrar. Encontrar seus pontos nevrálgicos secretos, só assim não nos parecerá tão estranho. Perceberemos nelas coisas que nos são familiares. E assim o é com tudo.

Obrigado!
Que a sabedoria seja nossa meta!

Adaécio Lopes